quarta-feira, 21 de junho de 2017

Está tudo bem

Só que, com a enormidade do que se passou no fim-de-semana, a vontade de escrever foi-se. Escrever sobre o quê afinal? Sobre o tom de cinzento da pintura da fachada, sobre pequena Cutxi, que nem com este calor dispensa um serão passado ao meu colo, sobre o quê? Tudo parece tão estúpido... É que nestas alturas uma pessoa fica de braços caídos, sem acreditar muito bem no que se esta a passar, a olhar para a televisão e a pensar como e que deixamos arder um pais tão pequeno, as suas gentes. As nossas gentes. Como é que os governantes vão para a televisão dizer que, por mais que tenham feito ou estejam a fazer, estão de consciência tranquila?! Eu, que não tomo decisões, que não percebo nada de botânica, nem de florestas, nem de fogos, não estou de consciência tranquila, ninguém de bem pode estar de consciência tranquila quando famílias inteiras foram esturricadas numa estrada.

E pronto, foi por isto que não escrevi, por pudor, porque sou sempre forte, porque não cedo aos sentimentos, porque em 2003, tinha o meu filho meia dúzia de meses, vi o fogo mesmo ali,  a subir o vale, e fui virar o carro para o portão, para estar pronta para fugir por uma qualquer estrada...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Lapalissade

Apesar dos inúmeros sinais verticais, daqueles com o círculo encarnado, de perigo, apesar das lombas, das bandas sonoras, das luzes cor de laranja intermitentes,  apesar das barreiras a cortar o acesso, apesar dos painéis de sinalização darem indicação de piso molhado e zona de derrapagem, há quem teime em circular a alta velocidade pela auto-estrada da soberba, ignorando  aquilo que toda a gente sabe: que o caminho acaba numa parede cega. 


quarta-feira, 14 de junho de 2017

Nunca me tinha acontecido

Então ela entrou na sala para a entrevista com um decote daqueles mesmo reveladores, bem bonito por sinal, olhou para mim decepcionada e perguntou ah, vai ser consigo? Sim, vai ser comigo. E então virou-se de costas, voltou ao corredor e reentrou com uma écharpe castamente enrolada à volta do pescoço...


sexta-feira, 9 de junho de 2017

E pronto!

Bem sei que o mal está lá atrás, nas primeiras vezes que lhe abri a porta e dei dois dedos de conversa, que enfim, achei que não podia privar a porteira do seu modo de vida, do leva e traz, de lhe acenar com a cabeça quando diz mal da senhora do segundo, da do terceiro e do quarto, sabendo de antemão que, quando fecho a porta, vai ao segundo andar dizer mal da senhora cá de baixo, ou seja, de mim, mas a porteira é uma pessoa solitária, precisa destes momentos de fel para se manter rija e saudável e a mim não me custava assim tanto, de modo que a deixava entrar quando ela se abeirava por trás do murinho do pátio, nunca imaginando que, um dia, o assunto do leva e traz se focasse apenas nas minhas pinturas, as que ela disse que até eram jeitosas e finas, mas que aparentemente a atormentam. Agora, para além das visitas do fim de tarde, ataca a minha auxiliar de roupa e lar durante o dia, para irem secretamente e em conjunto ver os quadros da doutora,  tu já viste isto? Olha este cão, que feiiiiiio! E a cara dela? Tu já vistes a cara dela? E põe-se a imitar a expressão da cara da boneca que está na pintura, E aqui, enfiada com o cão na banheira! Onde é que já se viu uma pessoa a tomar banho com um cão!? E o rato? Um rato em cima dela, olha bem práquilo, que nojo! e, danada, agarra no pescoço da minha auxiliar de roupa e lar dirigindo-lhe os olhos na direcção do rato, para ela não perder pitada: olha! Para que é que ela pinta estas porcarias?, pergunta indignada. Sim, podia pintar umas coisas bonitas, os filhos, que são tão jeitosos, o marido, um homem tão bem parecido, não desfazendo, uma paisagem, mas não,  põe-se a fazer isto! E agora, à tarde, sabes lá, chega a casa, põe-se a pintar e pronto! Como quem diz, uma pessoa dá-se ao trabalho de a vir visitar, coitada, que ela precisa tanto, e ela nada!


quinta-feira, 8 de junho de 2017

Eu ía escrever uma história bastante dramática sobre uma pessoa que se tinha tornado invisível e não sabia

Mas enquanto estava nisto a minha atenção foi desviada para uma daquelas janelinhas da net que estão sempre a piscar do lado direito do ecrã,  uma daquelas janelinhas Alice no País das Maravilhas "buy me, buy me", uma janelinha de um site de roupas daqueles com coisinhas bastante simples, todas elas assim na casa dos quatro dígitos... e depois... ó páaaaaaaaaaaaaaa!... dei com isto:



A sério, pessoas, alguém chame a Pipoca Mais Doce para nos esclarecer! Isto usa-se?! 

É que já estou a antecipar um Outono-Inverno absolutamente épico!




terça-feira, 6 de junho de 2017

Moche à Susana

Porque eu também quero mostrar o antes e o depois da minha Natureza, a minha linda Ficus Lyrata, a que estava com as folhas esquisitas, de tal forma que lhe cortei duas, só que a decisão de proceder à excisão das folhas foi muito repentina, se é para cortar é para cortar, e é já!, mas como não encontrei a tesoura, a do peixe, que é mesmo boa, peguei numa faca e vá de proceder à poda, uma folha, zuca, já está, outra folha, zássss, claro que no zássss dei uma facada a uma terceira folha que não tinha nada a ver com o assunto e depois fiquei com aquela cara de olhos muito abertos e cantos da boca para baixo, a olhar em volta da sala, não fosse alguém ter visto o meu acto de hostil contra a planta, enquanto tentava disfarçadamente colar essa terceira folha de volta ao caule, como a minha filha, uma vez, quando era muito pequenina e viu um fio de cabelo meu a cair, pegou nele com todo o jeitinho, com as mãos minúsculas com covinhas de bebé e, muito aflita, disse-me "olha, mãe, é teu", enquanto tentava voltar a pôr-mo de de volta na cabeça, mas dizia eu que a minha Ficus Lyrata sobreviveu aos meus maus tratos e depois de meses de habituação ao seu novo lar, brindou-nos finalmente com uma nova folha. Verde, tenrinha e linda.

 

Da minha famosa orquídea não posso dizer a mesma coisa, já que, depois de nos ter brindado com um braço de flores, as primeiríssimas da Blogosfera 2017, foi confrontada com uma nova habitante, uma enérgica orquídea gémea, exuberante e de duplos cachos luxuriantes, toda armada em boa, e a minha pobre orquídea de cacho simples com raízes na cabeça não resistiu a tamanho ultraje e acabou por sucumbir à humilhação. E agora está ali, toda enxovalhada e despida de graça, a ganhar forças para provar o que vale.


Depois ainda há aquela questão que me anda a afligir vai para cima de muito tempo: como é que se dá água à nossa jungle caseira durante as férias? Há alguma técnica daquelas muito à frente?! Um Personal Irrigator? Um hotel para flores? Sei lá, qualquer coisa! É que a pessoa toma a responsabilidade de prover aos seus vegetais de estimação, até àqueles a que não tem muita estima, como aquela planta gigante e horrorosa que a minha porteira me ofereceu no aniversário, com umas folhas desgrenhadas e pontiagudas mais umas  flores sinistras, encarnadas, que parecem de cera, e está aqui num desassossego, a pensar se vai ter de alugar uma carrinha de caixa aberta para levar as malas, os filhos e a floresta, tudo para a época estival.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Quem inventou este conceito de arraial de fim do ano da escola, com o objectivo de proporcionar momentos de alegre convívio entre pais, filhos e professores

Devia ser punido com pena de prisão até quinze anos.

(estou fechada no carro a recuperar forças)

(Agora que já fiz o meu momento oooooooom, vou voltar a entrar para mais meia hora de martírio)

(mas já volto. Parece que dura até às dez da noite...)

E, como boa blogger, Palmier aproveita este momento alto para vender o Merchandising Blog em Bom

Tatuagens definitivas Blog em Bom, para poder levar o seu selinho para todo o lado


Canecas Blog em Bom para beber o smoothie matinal em grande estilo


Aniquile as suas inimigas exibindo o escapulário Blog em Bom em oiro e pedras preciosas


Ainda hoje teremos almofadas, mochilas, bonés, chapéus de chuva e capas de telemóvel. Não perca tempo, faça já a sua pré-reserva!



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Valha-me Deus que ninguém me explicou as regras!

(era suposto renomear sempre Pipoco Mais Salgado?!)

(Eu só não o fiz porque julgava que a corrente não podia andar para trás, ok?!)

(Já percebi... devia ter deduzido, não é? Era um teste, é isso!)

(E agora, vão-me castigar? Retirar o selo? Banir da Blogosfera?! O que vai ser da minha vida, Deus meu?!)

Selinho Blog em Bom (e o tempo que eu demorei para perceber que para pôr a imagem ali ao lado tinha de lhe dar um título...)



E agora, antes que me gastem os blogs todos, informo desde já que estão convocados para este maravilhoso momento de convívio:

https://ladykina.wordpress.com/

Eu não sou de intrigas, mas enquanto vocês andam lá todos entretidos com o selinho, eu cá já recebi o meu convite!



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Porque sei que estavam extremamente ansiosos pelo post semanal da Grande Obra, ei-lo aqui, para vosso deleite!






E agora voltemos ao grande Cisma da Decoração 

Opção A


Opção B


Recapitulemos!

Opção A


Opção B


Julgo que não restam grandes dúvidas sobre com que cônjuge está a razão...


segunda-feira, 29 de maio de 2017

A discórdia abateu-se sobre o meu lar e eu preciso da vossa ajuda!

O tema, bastante profundo, é a disposição dos móveis na futura sala. Ou seja, cônjuge 1 considera que a sala deve estar virada para a vista, que o sofá onde nos sentaremos todos os dias deve estar de frente para o rio, porque o rio é belo e quando nos sentamos devemos vê-lo. Isso implica ter a televisão num móvel baixinho junto à janela que dá acesso à varanda. Claro que a luz que vem de fora, impede que, durante o dia se consiga efectivamente ver televisão. No entanto, durante o dia, é raríssimo vermos televisão e se quisermos mesmo, mesmo ver, para além de haver mais do que uma televisão em casa, estão planeados blinds  e umas cortinas que podem ser puxadas para o centro, para minimizar o efeito contra-luz. Assim:





Já o cônjuge 2 entende que a televisão não pode estar à frente do vidro porque bloqueia a contemplação da vista quando um qualquer habitante deste lar está de pé no meio da sala -aparentemente é uma coisa bastante comum, isto de estarmos de pé no meio da sala a ver a vista- e deve ser colocada na parede da direita, para que se possa ver em qualquer altura do dia -apesar de nunca vermos televisão durante o dia, e até à noite, enfim, é cada vez mais raro -. Cônjuge 2 acha que a sala deve estar dividida em dois espaços, o espaço da televisão e um outro espaço que o cônjuge 1 não sabe para que serve. Talvez um espaço de contemplação de rio em modo sentado. Assim:




Cônjuge 1 está muito zangado com esta situação porque acha ridículo dividir a sala em dois espaços. Cônjuge 1 sabe muito bem que as pessoas ocupam um determinado espaço nas casas, normalmente em frente à televisão, e nunca usam outro, ficam fixas, pelo que não entende por que raio em vez de ter uma sala grande, vai ter duas pequenas e em vez de estar de frente para o rio vai estar a contemplar uma parede. 

E vocês, de que lado do Grande Cisma da Decoração se encontram, do lado do cônjuge 1 ou do lado do cônjuge 2? Contem-me tudo!


sábado, 27 de maio de 2017

Então a pessoa acaba de tomar banho

Ouve uma grande algazarra, vai, vai, põe as pernas para baixo que eu te apanho, não!, não!, vá lá, não tenhas medo, eu apanho-te! já disse que não, não quero! Então vais ficar aí para sempre?... a pessoa vai a correr, ver o que se passa e...

quarta-feira, 24 de maio de 2017

terça-feira, 23 de maio de 2017

E então, no seguimento do comentário da Sara ao post de ontem, em que falava nos passes de mágica que aplicava às galinhas da avó, paralisando-as

Lembrei-me de uma história daquelas de casa da minha avó, aquela casa que funcionava como um relógio, tudo nos carris, que ali não se admitiam falhas, era uma questão de orgulho, que a minha avó, menina da capital desterrada numa pequena cidade de província, tinha uma reputação a manter: ah, a casa da família Encoberto, aquilo sim, funciona que é uma maravilha!


Foi então que o meu pai, fazendo uso das inúmeras galinhas que ofereciam ao meu avô como agradecimento pelas curas praticamente milagrosas da medicina dos anos cinquenta, iniciou um curso intensivo de hipnotismo. Quando os adultos estavam distraídos, escapulia-se para o canto mais remoto do jardim, onde havia um galinheiro, e aí foi apurando uma técnica milenar que consistia em traçar um risco no chão com um pau de giz, depois chegava o bico da galinha ao risco e, como que por artes mágicas, as galinhas ficavam ali, paralisadas, inertes, concentradas naquele traço branco durante tempos infindos. Todo um galinheiro imóvel, mesmerizado como numa pintura campestre e bucólica. Acontece que paralisar um galinheiro já não era suficiente, o meu pai queria mais, queria público, aplausos e louvores pela sua proeza nunca vista, e então engendrou um intrincado esquema que o levaria à glória. Depois de muito pensar, resolveu escolher como pano de fundo do seu espectáculo o lanche das senhoras do Patronato - uma instituição de solidariedade social em que as senhoras discutiam a melhor forma de ajudar os seus próprios pobrezinhos - que iria ser servido lá em casa, um lanche em bandeja de prata e xícaras de Limoges, que isto de ajudar os pobrezinhos, como bem sabemos, só pode ser feito no meio do fausto. Estava então tudo pronto, as grandes senhoras solidárias foram chegando com os seus recatados tailleurs, os seus colares de pérolas e carteirinhas de mão, ocupando os seus lugares, todas muito direitas e convictas do seu estatuto, sugerindo as mais diversas actividades para as pobres crianças, coitadinhas, ensiná-las a bordar, ministrar-lhes a primeira comunhão, organizá-las num rancho folclórico, enfim, essas coisas que os pobrezinhos tanto precisam, quando, por detrás dos sofás, as galinhas estrategicamente colocadas pelo meu pai, de bico no giz, começam a acordar do seu transe, primeiro ouviu-se um leve cacarejar ali, um brando cacarejar acolá, os olhos experientes da minha avó a perscrutar a sala, a sentir que algo estava prestes a correr muito mal, quando de repente começaram a surgir galinhas de todos os cantos, a saltar de todos os lados, a debicar as finger sandwiches feitas com todo o esmero para a ocasião, galinhas em cima dos sofás, ao colo das grandes senhoras. Enfim, o lanche que ficou eternamente conhecido como “la grand débâcle”.

(percebo agora que a pintura de ontem é bem capaz de ser uma reminiscência desta históra :D)